Saber sair do emprego é tão importante quanto saber procurar emprego

22 dezembro 2009 2 Comentários

Emprego é um tema muito comum em qualquer mídia. Jornais, televisão, revistas, blogues, classificados, todos possuem artigos dedicados ao tema. Na internet, além dos sites de recrutamento e cadastro de currículos, tem até rede social específica, o LinkedIn. Porém, quase sempre este tema é abordado sob a perspectiva de quem procura emprego. E quem quer sair do emprego, o que fazer?

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Sair do emprego, por motivos, óbvios, fica relegado ao segundo plano, mas nem por isso é algo menos importante. As razões são as mais variadas: problemas de relacionamento com colegas ou chefe, diferenças ideológicas, perspectivas ruins para a empresa ou mercado, interferência na vida pessoal e, bastante comum, quando o trabalho deixa de ser algo prazeroso.

Seja qual for o caso, se você acorda todas as manhãs e a primeira coisa que vem à mente após desligar o despertador é tristeza por ter que ir trabalhar, é hora de tomar cuidado. Dedique um pouco de tempo para analisar sua situação e considere seriamente
mudar de emprego.

Trabalhar apenas pelo contracheque traz mais malefícios que benefícios. Primeiro, a produtividade será invariavelmente mais baixa. Segundo, sua imagem poderá ficar marcada eternamente como funcionário incapaz ou relapso. Terceiro, se demorar muito, poderá ser ainda mais difícil conseguir outro emprego e retornar ao patamar normal de produtividade.

Sobre isso, em seu discurso a formandos da Universidade de Stanford, Steve Jobs disse o seguinte:

[...] durante os últimos 30 anos de minha vida, eu tenho olhado no espelho todas as manhãs e perguntado a mim mesmo: “Se hoje fosse o último dia do resto de minha vida, eu gostaria de fazer o que estou para fazer hoje?” E sempre que a resposta foi “Não” por muitos dias seguidos, eu sabia que precisava mudar algo.

Na minha opinião, este trecho, apesar de simples e um tanto romântico, tem significado profundo, além de uma idéia sutil não tão evidente. Voltaremos a ele mais adiante. Por ora, vamos discutir alguns cuidados que merecem ser tomados antes de conversar com o chefe e assinar a carta de demissão.

Identifique a essência do desinteresse pelo trabalho.É importante certificar-se que a falta de prazer pelo trabalho em questão é definitiva. Será que não é apenas uma fase ruim? Algum desentendimento com colegas/chefe? Um fato da vida pessoal está interferindo?

Como Steve Jobs citou, o problema surge quando a resposta é “Não” para muitos dias seguidos. Todos nós temos dias e períodos ruins em qualquer trabalho. As duas coisas não podem ser confundidas.

Este talvez seja o ponto mais importante. Para reduzir a margem de erro, tente:

Não se precipite. Mantenha a calma. A menos que algo terrível tenha acontecido, esta decisão não precisa (e não deve) ser tomada do dia para a noite. Se você pedir as contas por uma simples discussão ou um resultado ruim, não será encarado com bons olhos por chefes nem colegas. Isto pode dificultar muito na hora de conseguir um novo emprego.

Abra o diálogo. Por mais difícil que seja, é importante conversar com alguém de confiança sobre o que está passando. Se tiver abertura com seu chefe, ele pode ser a melhor opção. Porém, amigos, parentes, colegas de trabalho, esposas,
maridos, qualquer pessoa que confie e acredite que procurará lhe ajudar servirá.

Procure alternativas. Para garantir que o problema não é definitivo, procurar alternativas na própria empresa pode ser uma boa solução. De novo, ter um diálogo aberto com o chefe (depende bastante dele), é importantíssimo. Se o problema é de relacionamento com colegas, tente mudar de departamento. Se for com o trabalho, tente ser alocado numa nova área ou assumir um projeto diferente.

Planeje a saída.Você já tentou conversar com pessoas próximas, mudou de departamento, está realizando um trabalho diferente e mesmo assim, depois de vários meses tentando, continua se lamentando ao acordar. Talvez o melhor mesmo seja pedir as contas. Mas não sem antes planejar e preparar o terreno:

Faça uma reserva financeira. O ideal seria mudar de emprego instantaneamente. Sair do atual hoje e ir para o novo escritório amanhã. Nem sempre isto é possível. Se este é seu caso, garanta uma reserva financeira para suprir suas
necessidades por alguns meses. Se seu cônjuge tem uma renda suficiente para toda a família, este ponto pode ser menos importante.

Atualize-se. Deixe seu currículo em dia. Faça cursos novos. Se inteire do mercado de trabalho. Procure saber das vagas disponíveis, perspectivas de salário, áreas de trabalho novas, requisitos para contratação, técnicas para se sair bem em entrevistas de emprego. Lembre-se que procurar emprego exige bastante trabalho.

Faça um Plano de Ação. O que vai fazer no primeiro dia como desempregado? Procurar ofertas de emprego? Contatar colegas e amigos? Pretende abrir um negócio próprio? Não vire estatística, crie um plano robusto e realizável. Estabeleça metas e evite procrastinar enquanto estiver em casa.

Compartilhe com a família. Não os pegue de surpresa. É importante que sua família fique sabendo da decisão. Explique seus motivos, mostre seu Plano de Ação e busque suporte.

Deixe a porta aberta.Meu pai foi a primeira pessoa que ouvi falar isso. Desde então, já ouvi outras inúmeras vezes e não foi à toa. Este ponto pode ser fundamental para seu sucesso no futuro.

Seja sincero. Pode não parecer, mas sinceridade ainda é valorizada. Explique para seu chefe os motivos que o levaram a esta decisão e o que você já fez e planeja fazer a respeito. Além de ser o correto, isto evitará que passe uma idéia de falta de comprometimento e perseverança.

Mantenha um bom relacionamento. Procure manter um tom amistoso em todas as conversas — com chefes, colegas e subordinados. É bem provável que precise deles no futuro para recomendações durante sua busca pelo novo emprego.

Por fim, lembre-se que, apesar de difícil, a decisão de sair do emprego não é tão rara assim. Apesar de ter motivos variados, pode ser a melhor saída para muitas pessoas. O próprio Donald Trump já falou sobre esta alternativa.

Sem dúvida alguma, trabalhar indefinidamente em um emprego que não gosta arranhará sua imagem, o desmotivará e manterá sua auto-estima bem baixa. Não se acomode, busque alternativas e trace seu plano para o futuro — seja ele na empresa atual ou não.

Você ou alguém que conhece já pediu para sair do emprego? Como teve certeza de que era a melhor opção? O que fez para garantir que as coisas dariam certo? Compartilhe conosco nos comentários.

[via: produzindo.net]

Quem escreve?

Rafael Gustavo Gali
Programador, técnico em eletrônica, físico frustrado (Licenciatura em Física não concluída), desenvolvedor de teorias do Lost e ambientalista por ideologia. Trabalha com programação há 15 anos, atualmente desenvolve projetos para a plataforma Windows (c#, vb.net) e também para o iPhone (objective-c). Apaixonado por tecnologia, ciência, filmes, jogos e também por sua namorada (não é louco de deixar ela de fora). Defende a Microsoft e a Apple com unhas e dentes, pois acredita que uma pessoa possa ser feliz sem ter que amar uma e odiar a outra, optando por ver as qualidades de cada uma.

2 Comentários »

  • Bonaa'. disse:

    Opa Rafael. Conheci esse site agoraa pouco, mas estou fascinado com os artigos. são todas de sua autoria, ou vc tira de algum lugar? abraço!

    Responder

    Rafael Gustavo Gali (autor) Resposta:

    Olá @Bonaa’., obrigado pelos elogios.

    Alguns são de minha autoria e outros de algumas fontes diversas, vide créditos no final das matérias, esse por exemplo é do excelente site produzindo.net, como consta nos créditos.

    Obrigado pela visita e um feliz 2010.

    Abraço.

    Responder

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